"Façamos tudo com boa vontade e alegria. Deus não gosta de servidores carrancudos."
Padre Dehon

Toma e lê: o católico com a bíblia nas mãos!

Domingo, 20 de Setembro de 2015 - 14h14

A maior dificuldade é a falta do hábito de leitura da Sagrada Escritura, que vem da falta de incentivo.

               Sacerdote dehoniano português, P. Ricardo Freire fez toda a sua formação em Exegese Bíblica no Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, onde atualmente se prepara para defender a sua tese doutoral. De sua entrevista, fica claro que o católico deve ter sempre a Bíblia em mãos, e orientado pela Igreja, fazer dela luz para a sua caminhada.


               
Em sua opinião, quais são as maiores dificuldades que o católico encontra, ao tentar se aprofundar na leitura da Bíblia?

              
A maior dificuldade é a falta do hábito de leitura da Sagrada Escritura, que vem da falta de incentivo. Por outro lado, isso é favorecido pela prática da leitura que, para a maioria dos católicos, fica reduzida à proclamação litúrgica nas missas, fazendo com que se conheça quadros bíblicos, mas não a Bíblia. Daqui nasce a dificuldade que se prende com a interpretação. A Bíblia foi escrita e transmitida num mundo completamente diferente do nosso mundo ocidental; tudo isso a coloca num campo de difícil acesso, reservado quase apenas aos iluminados.


               
Como ajudar as pessoas a criar o hábito de ler a Bíblia?

               
É preciso criar este hábito, por meio de sugestões de leitura, de grupos bíblicos que comprometam as pessoas a ler. Desse modo, a leitura da Bíblia deixará de pertencer apenas ao âmbito litúrgico e de ser conhecida por passos bíblicos isolados para ser conhecida no seu contexto. Em grupos, com debates, as respostas começarão a ser de todos e não apenas de alguns “iluminados”.


               
Quais são as novidades no campo da exegese bíblica hoje?

               
A grande novidade da exegese bíblica dos nossos tempos é, sobretudo, a interpretação do texto no seu contexto, ou seja, a leitura dos textos bíblicos em perspectiva histórico-crítica. Nos últimos anos, alguns métodos não ligados à história, os chamados métodos sincrônicos, vêem o texto bíblico como texto literário e o analisam desse ponto de vista, com técnicas narrativas, semióticas entre outras.


               
Quais as suas recomendações para uma leitura salutar da Palavra de Deus?

               
Julgo necessário reconhecer o texto bíblico como tal, inspirado e sagrado como o temos hoje. Não podemos deixar que um estudo histórico- crítico apague séculos de tradição interpretativa. Mesmo a leitura científica das Escrituras Sagradas não pode ignorar o caráter sagrado dos escritos e deve levar a um maior conhecimento de Deus através do aprofundamento hermenêutico do texto. A leitura orante da Escritura, na chamada lectio divina, cria um percurso exegético-espiritual de uma pedagogia extraordinária, que vai desde a leitura térrea do texto até ao cimo da contemplação.


               
Em sua opinião, qual o grande mérito da Constituição Dogmática “Dei Verbum” no que se refere à interpretação da Palavra de Deus?

               
O grande mérito está no pontapé de arranque que deu para as grandes evoluções exegéticas contemporâneas. Citaria duas grandes diretrizes. A primeira é pequena e diz respeito ao mundo propriamente da exegese: DV 12 afirma que “as Sagradas Escrituras devem ser lidas e interpretadas com o mesmo espírito com que foram escritas”. A segunda diretriz é mais abrangente: o impulso à tradução da Bíblia em vernáculo, que virá a favorecer a criação de centro de estudos bíblicos.

Pe. Gil Heleno, scj

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