"Façamos tudo com boa vontade e alegria. Deus não gosta de servidores carrancudos."
Padre Dehon

Famílias missionárias

Sexta-feira, 07 de Outubro de 2016 - 07h50

Mesmo no meio das dificuldades que a vida atual impõe, os pais não podem renunciar a ser luz no lar, na vida das crianças, dos filhos.

          O estilo de vida atual, de forma geral, os horários de trabalho e o ritmo frenético que muitas famílias são obrigadas a adotar, no afã de ter melhores condições de vida, têm impedido uma presença mais constante dos pais junto aos filhos e prejudicado a sua belíssima missão como principais educadores dos filhos.

          Este ritmo acelerado de viver de nossas famílias tem incidência sobre a educação para a fé dos filhos, que no pouco contato com os pais, no pouco tempo que passam juntos, não compartilham momentos de oração, de ação de graças. As crianças não veem os pais meditando a Palavra de Deus ou rezando diante de um pequeno quadro de Nossa Senhora ou do Senhor Jesus. São lares onde os pais não testemunham com a vida a fé que ainda está acesa e acalenta seus corações.

          Mesmo no meio das dificuldades que a vida atual impõe, os pais não podem renunciar a ser luz no lar, na vida das crianças, dos filhos. A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim «cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos proclamarão as [Suas] proezas» (Sl 145/144, 4) e «o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade» (Is 38, 19)” (Papa Francisco. Amoris Laetitia, 287).

          Essa missão não está reservada para poucas e extraordinárias famílias. Nem isso quer dizer que as famílias, de alguma maneira, têm de deixar de ser como são e buscar uma espécie de perfeição impossível para testemunhar a fé. Neste processo de transmissão da fé, o Papa Francisco convida os pais a retomarem gestos simples que poderão fazer a diferença na vida de um filho e fazer da família uma família missionária, onde há espaço, lugar e tempo para cultivar a fé. Por exemplo: “é bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração” (Papa Francisco. Amoris Laetitia, 287).

          Precisamos retornar às coisas simples no meio deste mundo complexo que nos deixa inseguros e recordar que o testemunho simples, mas convicto da fé dos pais, é o principal instrumento de Deus para o amadurecimento e desenvolvimento da fé dos filhos.

          Quando a família abraça essa identidade missionária, torna-se aquilo para o qual sempre se pretendeu que fosse. Assimilada e aprofundada em família, a fé torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Como experiência da paternidade e da misericórdia de Deus, dilata-se depois em caminho fraterno (Lumen Fidei, 58).

Dom Sergio de Deus Borges - Bispo Auxiliar de São Paulo - Vigário Episcopal para a Região Santana

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