"Sem o Trabalho as coisas úteis e agradáveis ou não existiriam ou não serviriam."
Padre Dehon

O fim do ano

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016 - 09h50

Vamos correr e abraçar as pessoas de nosso convívio ou de nossa família que precisam de perdão ou que precisamos pedir perdão.

          Quando se aproxima o final do ano, muitas pessoas entram em uma espécie de frenesi, agitação diante das oportunidades perdidas no ano que está passando; outras entram em uma vivacidade excessiva e vão elaborando projetos que de per si serão irrealizáveis no próximo ano.   Há ainda aquelas que se escabelam para conseguir uma lembrança às pessoas queridas e se envolvem em dívidas que trarão muitas dores de cabeça até serem quitadas. Por fim, há muitas e muitas pessoas que no meio do frenesi e da agitação vivem o tempo de modo especial.

          O final do ano realmente é um tempo muito especial, inicia com o tempo do advento e a pedagogia da esperança, envolta em muita luz. Há certa correria e o desejo honesto de pensar em alguma lembrança às pessoas queridas, de pensar em projetos para o ano que vem.

          É um tempo de muita Luz porque nos preparamos para acolher a Luz do mundo, Jesus Cristo. A Liturgia do primeiro domingo do advento já faz o convite: ‘Vamos subir ao monte do Senhor, à casa de Deus de Jacó, para que Ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos’ (Is 2,3). E o Apóstolo Paulo nos convida a vestir as armas da Luz (Cf. Rm 13,12).

          Poderemos subir ao monte do Senhor e vestir as armas da Luz participando das novenas de Natal em família, organizando um bonito presépio em nossa casa ou lugar de trabalho, participando da liturgia dominical e procurando o sacramento da confissão. No meio de tantas luzes vamos deixar-nos guiar pela luz do Senhor (Cf. Is. 2,5).

          É um tempo de certa correria e com razão, porque a caridade tem pressa. Durante o ano as crises na família e na convivência foram enfrentadas, muitas vezes, de modo apressado e sem a coragem da paciência, da averiguação, do perdão recíproco, da reconciliação e até do sacrifício. Vamos correr e abraçar as pessoas de nosso convívio ou de nossa família que precisam de perdão ou que precisamos pedir perdão.  Diz o profeta: ‘não pegarão mais em armas uns contra os outros e não mais travarão combate’ (Is 2,4). É tempo de reconciliar.

          É um tempo de pensar em alguma lembrança às pessoas queridas. Talvez os compromissos durante o ano tenham impedido de cultivar os laços familiares e este é o momento propício para retornar ao recanto da família sem a obrigação de levar pacotes. Levemos a ternura e, junto com nossos familiares, vamos fazer lembrança de quanto nos queremos bem e somos valiosos uns aos olhos dos outros e todos aos olhos de Deus. Diz o Eclesiástico: ‘Não te prives do bem de um dia, e não deixes perder nenhuma parcela de um bom desejo’ (Eclo 14,11).

          É um tempo de pensar em novos projetos e o Apóstolo Paulo nos convida: ‘vós sabeis em que tempo estamos, já é hora de despertar’ (Rm 11,11) à luz de nossa opção vital por Jesus. Nos projetos para o ano que vem Ele nos pede para assumir um estilo de vida inspirado na Sua Palavra. É necessário fazer uma reviravolta, um despertar, e rever os projetos desgarrados das mãos de Deus, distantes da Palavra. Cremos Nele e sabemos que Jesus vem a nós e com Ele poderemos fazer um belo caminho de ternura na família, dedicação generosa, esforço por um ideal, porque a vida merece ser vivida inteiramente sob a Luz do Senhor.

Dom Sergio de Deus Borges - Bispo Auxiliar de São Paulo - Vigário Episcopal para a Região Sant’ Ana

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