"As obras em que a juventude não participa estão golpeadas de esterilidade."
Padre Dehon

Quarta meditação: A sede de nada que faz adoecer

Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018 - 18h49

Nesta terça-feira (20/02), o pregador dos exercícios espirituais, Pe. José Tolentino Mendonça, refletiu sobre o contrário da sede: a preguiça - a 'atonia' da alma - e seus efeitos.

          Prosseguem na Casa Divino Mestre, em Ariccia, os exercícios espirituais do Papa Francisco e de seus colaboradores da Cúria. Na manhã desta terça-feira (20/02), o pregador do retiro, Pe. José Tolentino Mendonça, propôs uma meditação intitulada “Esta sede de nada que nos faz adoecer”.

          O contrário da sede é a preguiça – disse o sacerdote. Quando perdemos a curiosidade e nos fechamos ao inédito ficamos apáticos e começamos a ver a vida com indiferença. Por sua vez, a sede nos ensina a arte de procurar, de aprender, colaborar, a paixão de servir.

         
          “Quando renunciamos à sede, começamos a morrer”

          
Existem muitos sofrimentos escondidos cujas origens devemos descobrir e que segundo o pregador, se escondem no mistério da solidão humana.

          
          Quando nos sentimos em "burnout"

          
Um dos problemas mais comuns hoje é o chamado "burnout": sentir-se em curto-circuito, esvaziado de energias físicas e mentais. Este esgotamento emocional é definido por alguns como "síndrome do bom samaritano desiludido" e atinge muitas pessoas que fazem da ajuda e da cura do próximo sua ocupação principal. Como os sacerdotes.

          Pe. Tolentino mencionou uma pesquisa realizada entre o clero da Diocese de Pádua (Itália), que apontou que os sacerdotes com maior risco de burnout são os jovens (25-29 anos) e os mais idosos, com mais de 70 anos. Dentre as causas deste mal-estar, estão o peso excessivo das expectativas (pessoais e dos outros), a ausência de uma vida espiritual, o temor do juízo, a exposição demasiada a situações humanas difíceis, pouca solidariedade entre os sacerdotes, incapacidade de se comunicar...

          Quando nos sentimos amados como pessoas, amparados com afeto e acompanhamento, sabendo que nosso trabalho interessa, envolve e apaixona, temos a certeza de existir. Mas quando nos sentimos abandonados, incompreendidos e com o coração ferido por dores que não sabemos curar, temos a impressão de não contar nada para ninguém.

          “Fica só um vazio, uma "cratera" existencial a ser preenchida com angústias e mundanidades: álcool, redes sociais, consumismo ou hiperatividade”

          A este respeito, o padre lembrou que somos todos diferentes, cada um com sua beleza e fragilidades. A beleza humana é aceitar-se como somos; não viver nos sonhos ou ilusões, na raiva e na tristeza. Ter o direito de ser o que somos... e seremos amados por Deus e preciosos a seus olhos.

         
          Jonas ou a necessária terapia do desejo

          
Recorrer à terapia do humor para satisfazer o desejo: o livro bíblico de Jonas nos faz sorrir salutarmente de nós mesmos, ao invés de dramatizar. Ele nos diz que a sabedoria está nos anunciadores de esperança e não nos apocalíticos pregadores de tragédias.


          A anatomia da tristeza

         
"Um dos sinônimos da preguiça, a "atonia" da alma, é a tristeza", afirmou o pregador.

          “Nem sempre o problema é o excesso de atividade, mas atividades mal vividas, sem motivação adequada, sem a espiritualidade que a torna desejável”

          Em relação à pastoral, a preguiça pode ter diferentes origens: insistir em projetos irrealizáveis; não aceitar a evolução dos processos; perder o contato real com as pessoas, não saber esperar, querer dominar o ritmo da vida... A ansiedade de obter resultados imediatos... a sensação de fracasso, de ser criticado, de cruz.


          Aprendam de mim: "vem"

          
Pe. Tolentino concluiu sua meditação relacionando a nossa sede "de água" com a palavra que revela a necessidade profunda, íntima e dolorosa "vem", que a Igreja experimenta com a chegada no Espírito. Nesta palavra está o sinal de tudo o que precisamos, a razão de nossa esperança e ao mesmo tempo, a razão de nosso fracasso, cansaço... e a necessidade de superar tudo isso em Deus.

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-02/quarta-meditacao-exercicios-espirituais.html

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