"As obras em que a juventude não participa estão golpeadas de esterilidade."
Padre Dehon

“O verbo abreviou-se”

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011 - 01h54

Nosso trabalho agora é pedir que sejamos Palavra de Deus.

Olá queridos paroquianos, neste mês de setembro vamos refletindo sobre a “Palavra de Deus” como já é praxe. Convido a todos refletirmos com a Igreja sobre a Exortação Apostólica pós-Sinodal “VERBUM DOMINI” do Santo Padre Bento XVI.

A exortação começa afirmando com São Boaventura que, “cada criatura é palavra de Deus, porque proclama Deus” (n. 24). Cada um de nós é palavra de Deus e é chamado a tornar-se o que é. Queremos nos tornar outros Cristos, outros verbos de Deus.

A tradição patrística e medieval, contemplando esta Cristologia-Antropológica da Palavra, utilizou uma sugestiva expressão: “O Verbo abreviou-Se” (n. 34). O verbo abrevia-se em cada um de nós fazendo-se Palavra do Pai (Jo 1,14). O Verbo quer abreviar-se em cada um de nós, quando em nossa vida não há indiferença com a palavra do Evangelho.

São João da Cruz exprimiu uma verdade de modo admirável: “Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra – e não tem outra – Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem para dizer (…). Porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d’Ele outra realidade ou novidade”. (SÃO JOÃO DA CRUZ, Subida do Monte Carmelo, II, 22).

Nosso trabalho agora é pedir que sejamos Palavra de Deus. Para que não sejamos pessoas dissimuladas com a palavra de Deus, vivendo sem compromisso de qualquer jeito. Vivendo assim, somos relacionados no que diz o santo; pediremos revelações e visões, cometendo um disparate. Santo Agostinho enfatiza que: “A letra do Evangelho também mata, se faltar à graça interior da fé que cura” (n. 85).

Como nos recorda Santo Ambrósio, “cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é o fruto de todos”. São Gregório Magno ratifica: “As palavras divinas crescem juntamente com quem as lê” (n. 83).

Santa Teresa de Ávila, nos seus escritos, recorre continuamente a imagens bíblicas para explicar a sua experiência mística, e lembra que o próprio Jesus lhe manifesta que “todo o mal do mundo deriva de não se conhecer claramente a verdade da Sagrada Escritura” (n.171). Santa Teresa do Menino Jesus encontra o Amor como sua vocação pessoal, quando perscruta as Escrituras, em particular os capítulos 12 e 13 da Primeira Carta aos Coríntios; e a mesma Santa assim nos descreve o fascínio das Escrituras: “Apenas lanço o olhar sobre o Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr” (n.172).

Por fim, “quem faz entrar Cristo, nada perde, nada – absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. (…) Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, e dá tudo.
Quem se entrega a Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo, e encontrareis a vida verdadeira”. (BENTO XVI, Mensagem para a XXI Jornada Mundial da Juventude em 2006 (22 de Fevereiro de 2006): AAS 98; 2006).

Diácono Júlio

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