Por que vocês rezam o terço?

Escolhemos meditar estes mistérios com a mãe dele, que cremos estar no céu a nos ouvir, porque sabemos que Maria viu tudo, riu, sofreu junto e esteve lá como mãe e primeira cristã. É um exercício de contemplação e de santa imaginação.

Um amigo meu, evangélico sereno, que entre outras coisas admira os católicos pela firme defesa dos vínculos do matrimônio e do embrião humano, mesmo diante dos ataques diários que sofremos por essa postura na mídia-, esses dias me questionava, dizendo não entender porque rezamos o terço, repetindo tantas vezes e sempre do mesmo jeito a saudação a Maria e á Trindade. Não vê sentido na repetição da mesma oração tantas vezes e não vê sentido na reza do terço.

Expliquei-lhe que não somos a única religião que repete preces, contando-as em pedrinhas, botões de rosas, terços ou colares de 12, 33, 50 ou 200 contas. São pedagogias usadas pelos judeus, budistas, muçulmanos, católicos e outros grupos de fé, para meditarem melhor, enquanto oram. Um livro, um objeto nas mãos, ou vênias com o corpo, ou com a cabeça podem ajudar na concentração daquele que ora. Listei os vinte mistérios um depois do outro. São contemplações.

O Brasil, pelo que eu saiba, é o único país onde, nós, católicos chamamos o rosário de terço. Outros países não usam a palavra terço. Até há pouco tempo  o rosário se dividia em três contemplações cada uma de cinco mistérios. Dava quinze meditações sobre a vida de Cristo divididas em 3 grandes contemplações, como foram testemunhadas por Maria, ou sobre a própria Maria, em vista do seu Filho. São João Paulo II acrescentou mais uma contemplação de Cristo e suas luzes com mais cinco mistérios da luz. Assim, os católicos de agora  são chamados a pensar em 20 episódios da vida de Jesus  divididos em mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos. Contemplamos as doçuras e as alegrias de sua infância, as luzes de sua doutrina e da sua presença, já adulto, no meio do povo; as dores da sua paixão e do seu martírio pela humanidade, naqueles dias de conflito, e finalmente a glória de sua ressurreição e das suas consequências.

Escolhemos meditar estes mistérios com a mãe dele, que cremos estar no céu a nos ouvir, porque sabemos que Maria viu tudo, riu, sofreu junto e esteve lá como mãe e primeira cristã. É um exercício de contemplação e de santa imaginação. É como se nós também estivéssemos lá com Maria.  Então nós a saudamos dez vezes, a cada mistério, após repetir a oração ensinada apelo Filho dela, e antes de louvar o Deus Uno e Trino. Deveríamos talvez falar agora, em orar “uma quarta” (parte) do rosário e não mais “um terço”, já que  o rosário agora tem quatro partes.  A meu ver é uma excelente pedagogia e tornou-se oração comum em toda a Igreja. Faz um bem enorme às pessoas simples e aos católicos cultos, que entendem o valor dessa repetição. Outras religiões também o fazem do seu jeito. Não é obrigatório, mas é um momento da fé. É dialogado. Nunca o ouvi gritado. É sereno. Não é momento mágico, nem se pode dizer que é sempre seguido de recompensas ou milagres. Costuma ser um momento forte de catequese. Mesmo que nada de especial aconteça ao fiel, o mero fato de meditar mais uma vez a vida de Cristo e de sua testemunha mais fiel, já é uma graça especial.

Acho que ele entendeu. Deu-me um toque nos ombros e disse. – É bem bíblico e, explicado desse jeito, faz sentido-. E faz!

Pe. Zezinho, scj

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